#219 MAGCARGO

magcargo

”Sua casca frágil ocasionalmente expele chamas intensas que circulam em todo o seu corpo.” – Pokémon Fire Red

Dando continuação aos posts, resolvi colocar esse simpático Pokémon que é bem interessante e remete a um Filo bastante intrigante e que vivem e passam por nós quase que despercebidamente. Esses gastropodes são extremamente importantes para o ecossistema de modo geral, mas chamo atenção para a sua história evolutiva que é lindamente complexa.

Em sua biologia, se formos analisar, suas características refletem muito aos caracóis existente no mundo real. Obviamente nosso Pokémon é baseado em um caracol, pertencente ao filo Mollusca. Seu corpo é coberto por um manto de magma, que é um órgão que forma a parede dorsal e que na maioria dos moluscos reais cresce durante o desenvolvimento e contem canais musculares e canais hemocélicos. *ufa* Em sua descrição, o corpo do Magcargo pode chegar a 18,000 Fahrenheit ( 9982ºC), o que é o bastante para causar a evaporação da água em contato, principalmente em dias chuvosos em que os pingos se tornam vapor instantaneamente quando atigem seu corpo,  como dito em sua Pokédex.

Victaphanta atramentaria é um dos possíveis animais em que se basearam este pokémon.
A Victaphanta atramentaria é um dos possíveis gastrópodes da família Rhytindidae em que se basearam este Pokémon.

A concha do Magcargo se forma da mesma forma em que as rochas são formadas, atravéz do resfriamento continuo em contato com o ar, sendo assim, forma uma camada bem fina que pode se desfazer com qualquer contato que não seja delicado o suficiente. Daí a sua Hidden Ability de Weak Armor no jogo que não vou entrar em detalhes. Cheguei aonde queria. Em sua concha.

A evolucão das conchas modernas e enroladas de forma assimétrica, teve uma terrível  talvez, consequência (quem disse que evolução era só para o bem?), mas que mesmo assim esse grupo conseguiu sobreviver ao longos das eras e obteve seu sucesso adaptativo até os dias de hoje.

Um dos fenômenos mais extraordinários na história evolutiva dos Mollusca é um fenômeno conhecido como torção e esta acontece em sua concha. Pois bem, esta torção resultou à restrição do espaço do lado direito da cavidade do manto, que levou a perda ou mudança no posicionamento de estruturas vitais para que ele viva (ctenídeos: órgão branquial primitivo; átrios: lacunas por onde o sangue circula; osfradidio: orgão químioreceptor usado geralmente na procura por paceiros sexuais e alimentos que era originalmente do lado esquerdo) ao longo do crescimento do animal, sendo a parte mais evidente em sua fase adulta.

Nos gastrópodes modernos o fluxo de líquidos passa primeiramente pelos ctenídios em seguida anus e nefridioporos e só depois pelos póros excretores da sua concha. Como eu disse anteriormente sua concha se desenvolve durante a sua fase larval chamada de fase véliger, que ao longo de seu desenvolvimento sofre uma espécie de torção da massa visceral, deslocando seu manto para frente, sob sua cabeça. Calma, ele sofre um pouco, mas tem um ‘porquezinho’ .

Várias hipóteses foram levantadas para se saber o por quê desta torção, uma delas foi a de que a cabeça precisava de mais espaço na concha para se protegeram de predadores, porém, devido ao grande espaço que esta requeria. Outra foi de que o animal tentou equilibrar seus órgãos internos para que houvesse um equilíbrio e a concha não tombasse para os lados. Talvez isto poderia ter causado a grande mudança no arranjo interno de suas estruturas vitais.

Como na natureza nada é perfeito, antigamente essa adaptação, acredita-se, que foi uma resposta para evitar a auto poluição, por quê sem a mudança no fluxo original da água através da cavidade do manto, dejetos muitas vezes fecais, poderiam ser expulsas sob a cabeça e poluir sua própria boca e as regiões sensitivas (ctenídios), e por isso desenvolveram poros nas conchas alterando os fluxos de líquidos de forma unilateral, seguindo o curso mais eficiente para que isso ocorra.

Desenhos esquemático representando as mudanças nos padrões internos ao longo da história dos Mollusca.
Desenhos esquemáticos representando as mudanças nos padrões internos ao longo da história dos Mollusca.

Da próxima vez que ver um Magcargo por aí, pense nisso tudo que tentei resumir bastante e não o despreze mais (aliás, nenhum animal, cada um tem sua história). Agora, talvez se pergunte: Mas e as lesmas sem concha? Bom, isso também fica para outro post, quem sabe. XD

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